O texto abaixo foi escrito por mim na comunidade FUMAR NUNCA MAIS! do ORKUT no tópico "Meu Depoimento". Eu o li novamente e fiz algumas pequenas alterações que achei apropriadas, mas a essência continua a mesma. Eu o escrevi um mês e dois dias antes de ter a recaída que persiste até então. Digo recaída porque não considero que tenha voltado a fumar, pois a idéia de retornar a abstinência e vencer esse vício degradante ainda persiste em mim.
11/3/2005 07:11
Fumei durante 10 anos. No início fumar para mim era só mais uma experiência nova. Um ato esporádico. Depois passou a ser um elemento socializador: eu me reunia com meus amigos para fumar. Geralmente depois das aulas e à noite após o jantar. Pouco a pouco este ato foi se tornando um hábito, e se incorporando no meu dia dia. Passei a fumar sozinho, a qualquer hora do meu dia, sempre que tinha uma oportunidade. De hábito isto se tornou uma característica da minha pessoa: eu era fumante. Mas e daí, eu era jovem, saudável, praticava esportes, tinha um preparo físico melhor do que aqueles que não fumavam, qual era o problema? Até aí nenhum. Mas em 2001, depois de 7 anos fumando, comecei a sentir os primeiros sintomas: minha respiração começou a ficar mais curta, meu ânimo diminuiu me tornando mais preguiçoso, meus treinos já não rendiam como eu gostaria, passei a sentir ressacas diárias, pois à noite na faculdade eu fumava demais. Tudo isso me levou ao sedentarismo (coisa que sempre condenara). Foi quando percebi que deveria parar de fumar. Então que percebi que EU NÃO CONSEGUIA PARAR DE FUMAR. MÉÉÉRDA! Eu criara uma minha própria prisão. MÉÉÉRDA DE NOVO! A culpa era minha e reverter a situação só dependia de mim (mas não é tão fácil quanto parece, porém, nem tanto impossível). Em 10/2003 voltei a treinar. Preparo físico horrível. No reveillon de 2003 para 2004 decidi que naquele ano iria parar de fumar. Passei o ano inteiro parando e voltando, e com isso aprendi a viver sem cigarro. Já não fumava todos os dias. Ficava semanas e até poucos meses sem fumar, e quando fumava não era uma carteira e sim alguns poucos cigarros. Comecei a apreciar o quanto é bom não fumar, e perceber os inúmeros benefícios que essa abstenção nos traz. Fumar até que é bom, mas para mim, não fumar é inexplicávelmente melhor. Às 23:57 do dia 31/12/2004 terminei de fumar meu último cigarro (éh . . . como percebem, não foi o último). Minha namorada tomou a mesma decisão. Admirei a atitude dela que, de repente, parou de fumar, talvez até por companheirismo. Meu conselho para quem quiser parar é: NÃO DESISTA tente e continue tentando. Não fumar é um exercício constante de perseverança e auto-controle, e é possível.
O trecho destacado acima agora serve de conselho pra mim mesmo. Pois é, não desisti. Como escrito no post anterior, este final de semana eu paro de fumar novamente. A decisão está novamente tomada, a contagem rolando, e, com certeza conseguirei, apesar de saber que não será fácil (já passei por isso outras vezes) Eu já conheço o inimigo, e de todos os ataques que sofri dele, este último foi o mais surpreendente, foi inesperado. Eu realmente achei que já estava livre, que poderia fumar somente um dia e depois retornar a ser não fumante. Achei que não fosse mais dependente. PURA ILUSÃO. Devo me acostumar a idéia de que a talvez a dependência realmente seja eterna, que tenha que aprender a conviver com ela e superá-la nos momentos tentadores, e que, apenas um momento de permissividade, me torna completamente vulnerável, como uma fortaleza que abre seus portões para o inimigo entrar.
É estranho, às vezes penso: "Por que não paro amanhã?", ou "Por que não paro agora?". Nem eu sei direito porque não paro o mais rápido possível. O que sei é que sinto uma certa necessidade de ter um ritual, de marcar uma data para o começo, de fazer a minha preparação psicológica, para então partir na jornada de libertação. Achei este final de semana bem adequado, pois começa novo mês, é dia do trabalho, e principalmente um mês antes do Dia Internacional de Combate ao Fumo e um pouco mais de um mês antes do meu aniversário (quero estar livre até lá). Tudo muito adequado. Talvez eu tivesse que ter passado por essa recaída para ter um último aprendizado em relação ao tabagismo, para enfim atingir minha liberdade. Se eu não tive que passar por isso, então dane-se, porque eu aprendi assim mesmo. Aprendi que embora a vontade de fumar seja uma sensação não muito agradável, a frustração por ter rompido um compromisso moral é muito pior. Acredito que isto, por analogia, se aplique a outros aspectos da vida.
Mas enfim, vou ficando por aqui porque já me alonguei demais no post de hoje. Gostaria de agradecer ao companheiro Artemus (Valeu cara !!!) que cordialmente se solidarizou com minha situação, me incentivou, e não deixa a moral daqueles tentam parar de fumar cair, e também ultimamente tem sido o pilar dos blog que relatam tentativas de parar de fumar, tendo tido um sucesso inspirador em sua luta pessoal.
FALOW gente . . . Até o próximo post . . .
Desde o dia 13/04/2005, aproximadamente às 12:00, o tabagismo voltou a ser um incomodo na minha vida. Dias antes a vontade já vinha me assombrando, eu vinha me questionando se realmente queria me privar do prazer de fumar pelo resto da minha vida (um fantasma que ficava me tentando). Num momento em que o mundo exigia muito de mim, em que eu tinha tantos compromissos, tarefas e expectativas a cumprir, aconteceu algo (que prefiro não expôr aqui, pela pessoalidade do fato) que foi a gota d´água. Naquele momento eu fiquei cego, minha respiração ficou tão profunda que meu externo e coluna chegavam a estalar quando inspirava, e tudo o que minha mente pensava era em fumar um cigarro para depois resolver o problema (caso clássico de dependência). Fumei. Fumei 2 frees. Um em seguida do outro (naquele momento lembrei daquele verso de carteira que tem um homem acendendo um cigarro na ponta do outro, onde diz: "FUMAR CAUSA DEPENDÊNCIA", e realmente causa).
Eu que já estava a 4 meses e 13 dias sem fumar, que estava me julgando vencedor, de repente, por causa de uma ligação telefônica, senti a mesma vontade de fumar que sentia cinco meses atrás (então notei que ainda sou um viciado, embora ultimamente não estivesse percebendo). Decidi então fumar só naquele dia. E fumei. Passou a quinta (14/04), depois a sexta (15/04), sem cigarro, então chegou o sábado (16/04) quando fumei mais dois cigarros (aquele cigarro bali-hai, de chocolate, enrolado em folha - uhmm - é bom, para quem fuma aconselho experimentar, para quem não fuma, passem longe disso), ainda em clima de descontração. Depois no domingo (17/04) fumei mais dois prometendo a mim mesmo que na segunda aquilo acabaria. Beleza. Passou a segunda (18/04), nenhum cigarro. Chegando a terça (19/04) a vontade foi insuportável, como crise de abstinência mesmo, foi então que cedi, e desde então, até agora, 25/04/2005, poucos minutos antes da 1:15, estou tendo problemas com a maldita dependência. QUE DRÓÓÓGA !!! (é isso que o cigarro é)
Esta experiência me fez pensar que talvez a dependência psíquica não tenha cura. Seja para o resto da vida. Talvez a única saída para quem quer abandonar o hábito de fumar seja aprender a conviver com a vontade de fumar, superá-la nos momentos em que ela vier mais forte (como aconteceu comigo), e reafirmar sempre os motivos que o levarem a parar de fumar. Eu fiz isso no ínicio. Depois baixei a guarda, subestimei o adversário, deu a luta por vencida, foi aí que ele me pegou de surpresa. Que idiota eu fui. Mas todo erro sempre tem seu lado bom, serve como aprendizado.
Quem é fumante sabe a sensação horrível que é você precisar de alguma coisa tendo ciência de seu efeito prejudicial (é um puta peso na consciência). Sentir-se dependente do inimigo (que as vezes se disfarça de amigo), sentir-se fraco por não conseguir recusar "só um cigarrinho" , e na maioria das vezes nem cogitar tal negação.
SER FUMANTE É ESTAR PRESO EM UMA CÂMARA DE FUMAÇA
Meu dia de alforria do cigarro será no próximo sábado, quando então começarei a luta novamente. Até lá farei uma regressão para diminuir os efeitos da abstinência, começando na segunda com 5 cigarros e terminado na sexta com 1, que será o último.
LIBERDADE PARA TODOS OS FUMANTES, e boa sorte para todos aqueles que estão lutando contra qualquer tipo de dependência que seja . . . Até a próxima.
Fumômetro : |
![]() ![]() ![]() |
Meu Perfil BRASIL, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Esportes, Música, TKD, Trance, Butecos, Serotonina |
![]() |