Quem fuma talvez já tenha visto esse filme . . .

Cigarro e eu, uma relação de amor e ódio. Parece até um título de um romance do cinema B, em que no final um dos amantes mata o outro. Neste caso, o amado (cigarro) é o assassino.

Nestes últimos quatro dias tenho percebido que me vinculei afetivamente ao cigarro. Dia 30/04 à meia noite tinha fumado mais um dos cigarros que prometi a mim que seria o último, e desde então, em certos momentos, me surpreendi sentindo saudades dele, uma certa inveja quando via os outros tragarem profundamente e expressarem aquela feição de prazer intenso provocado pela descarga de endorfinas reagindo em seus cérebros, até o cheiro de tabaco queimando (que os não fumantes dizem ser ruim) me atraia de forma indescritivel.

Fumar é algo quase inexplicável. Uma sensação de prazer diferente de todas as outras drogas que já usei. É um prazer sóbrio, racional. Seu uso é adequado a todas as situações sociais. É sempre apropriado em momentos em que preciso refletir, meditar, momentos só meus. É uma droga individual, não preciso de outros que fumem quando estou fumando, basta eu e o cigarro, eu curto minha viagem sozinho, e ninguém percebe. Tá sempre lá quando preciso dele. Seja quando estou feliz ou triste, quando estou cansado ou desperto, quando estou trabalhando ou descansando, seja quando for, o cigarro está sempre lá, nunca me abandona.

Pensar em parar de fumar para sempre chega até a dar uma saudade antecipada. Para sempre é tempo pra caramba. Imagine só, passar por todas as situações que eu citei acima, e mais algumas, sem a companhia de um parceiro tão fiel e agradável, pro resto da vida. É triste

Fumar ou Não Fumar ? Dificil escolha quando se gosta tanto de um lado quanto do outro. Os dois lados tem seus prós e contras, e se o ato de fumar só trouxesse coisas ruins, não seria tão difícil abandonar o vício.

Não estou defendendo o tabagismo, pelo contrário, tento combatê-lo, pois é extremamente nocivo a mim, mas estou alertando para o fato de que ele nem sempre é o vilão, pois em muitos momentos nos traz um conforto psicológico que de outra forma não teriamos.

A parte mais difícil para eu parar de fumar, é romper este vínculo emocional que desenvolvi entre eu e o cigarro, e aprender a negar o conforto que ele me oferece quando preciso. É preciso aprender a conviver com a vontade.

Ufah . . . Desabafei . . . Falow

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